Elis

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Professora (Mestra em Linguística) e escritora, eterna aprendiz da vida. Feliz e em paz comigo mesma : )

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Segunda-feira, Março 19

Cronica sobre educação linguistica. Profª Ms Elis

Acento Grave – Parte II



Nossa próxima estação na viagem pelas estradas do acento grave são os casos em que podemos ou não aplicar este acento. Podemos ou não usar o acento grave “antes de nomes próprios femininos”: Ex: Referiu-se à “Estela” ou Referiu-se a “Carla”. Também nos casos “antes de pronomes possessivos femininos”: Ex: Referiu-se a “tua” irmã ou Referiu-se à “tua” tia. Atenção: nesses e em outros casos semelhantes, as dúvidas também podem ser resolvidas pelas mesmas dicas explicadas na parte I de nosso artigo sobre o acento grave.

Outro caso importante é o uso do acento grave antes de pronomes “a que”, “a qual”, nesses casos, ocorre o acento se o masculino puder ser substituído pela expressão “ao que”, “ao qual”. Ex: Esta pintura é superior “à que” você comprou. Este quadro é superior “ao que” você comprou. Devemos prestar atenção nas expressões usadas antes dos pronomes “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo”. Ocorre acento grave sempre que o termo regente exigir preposição “a”: Ex1: Fui “àquele” show. (Fui- termo regente: quem vai, vai “a” algum lugar”. Ex2: Sou avesso “àquela” ideia. (Avesso – termo regente: quem é avesso, é avesso “a” algo).

O acento grave, também, é empregado nas “expressões adverbiais”, “prepositivas” e “conjuntivas femininas”, ou seja, ocorre acento grave diante das expressões: “às duas horas”; “à tarde”; “à direita”; “à esquerda”; “às vezes”; “às pressas”; “à frente de”; “à medida que”.

Atenção: além dos casos acima, algumas expressões recebem o acento grave, mesmo que não haja a união de duas vogais, ou não ocorra à crase. Este é um recurso normalmente usado para tornar a frase mais clara: Ex: Cortar à faca / vender à vista / bordar à mão. Para concluir nossa viagem pelas estradas do acento grave, selecionei uma fórmula mnemônica bastante empregada na compreensão desse tema. “Se vou A e volto DA, crase há, ou seja, Se vou “à” biblioteca e volta “da” biblioteca, crase nessa expressão há. Agora é só praticar o uso do acento grave, bordando-a à mão ou ao teclado do computador.
Abraços com acento grave,
Profª Elis



Sexta-feira, Março 9

Acento Grave ou Crase? Como e onde usá-lo? – Parte I.
Retomando nossas viagens pela língua portuguesa, seguiremos pelos caminhos de um sinal gráfico bastante polêmico, a começar pela forma como é conhecido popularmente, erroneamente chamado como Crase, este acento é chamado, corretamente, como acento grave.
Digo isto porque a palavra “crase”, em grego, significa fusão, ou união, de duas vogais iguais e contíguas, porém, nem sempre essas fusões de vogais recebem acento, é o caso do exemplo: “Estava aberto o caminho”.
Na Língua Portuguesa apenas assinalam-se as crases da preposição “a” com o artigo “a/as”; com os pronomes demonstrativos “a/as” e com a vogal inicial dos pronomes demonstrativos – “aquele, aquela, aquilo”. A regra geral determina que ocorrerá crase quando:
– O termo regente exigir a preposição e o termo regido aceitar o artigo a/as. Ex: Cheguei à escola. (Cheguei – termo regente; Escola – termo regido).
Quando houver dúvidas em relação a essa regra, algumas dicas podem nos ajudar:
Substituir a palavra feminina por outra masculina, se ocorrer à fusão do artigo “a” com o artigo “o” é sinal de que ocorre acento grave: Ex: – Fui à sala (?). Fui ao salão. Outra dica é substituir a preposição “a” por outras, tais como “para”, “de”, “em”. Se o artigo “a” vier depois da preposição, é sinal de que ocorreu crase:
Ex: – Fui à Itália (?). Fui para a Itália. Nos próximos artigos continuaremos nossa viagem pelas estradas do acento grave.

Até a próxima. Sorte e Sucesso!
Profª Ms Elisângela Alves Gusmão Doroteu

Terça-feira, Março 6

cronica sobre educacao linguistica II

Viajando pelas estradas da Língua Portuguesa.
cronica sobre educacao linguistica

Redigir textos acadêmicos e literários é parte do meu trabalho há cerca de 10 anos, por isso, costumo tentar fazer com que meus alunos das disciplinas de Língua Portuguesa e Redação olhem com mais carinho para a linguagem, tirando os óculos do preconceito e vestindo as lentes da comunicação. Neste artigo, se vocês me permitirem, tentarei mostrar a linguagem através das mesmas lentes. Por isso, convido-os a acompanharem-me nessa viagem.

A primeira estação será compreender como planejar uma redação com base nos critérios de coesão e coerência. Coesão é a ligação harmoniosa entre os parágrafos e coerência é a lógica interna de um texto, isto é, a sequência de ideias e argumentos que facilitará o entendimento da mensagem. Dessa forma, minha primeira dica para planejarmos uma boa redação é ter consciência de que o texto visa os seguintes aspectos de comunicação:
1º Evitar o uso de termos repetidos ou compreendidos apenas por uma das partes envolvidas na comunicação;
2º Evitar o uso de expressões informais, para não provocar descrédito da mensagem;
3º Evitar a ocorrência de quebra dos procedimentos gramaticais (falta de concordância verbal e nominal) que levará a má credibilidade do emissor.
Não estou dizendo que sua redação tenha que ter somente estes itens, mas estas são as questões fundamentais que o leitor, facilmente, analisará ao ler seu texto. Enfim, há que se escrever com bom senso sempre, mas o que não pode faltar numa redação foi o que tentei destacar aqui. Sorte e sucesso!

Profª Ms Elisângela Alves Gusmão.
REFERÊNCIA:


www.cartasepalavraslivres.blogspot.com


http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=62324

DICAS DE LINGUA PORTUGUESA - cronicas de educacao.

Entretanto, entre tudo, entra todos:
o leitor entre a coesão e a coerência.
CRONICA SOBRE EDUCACAO LINGUISTICA

POR ELISANGELA GUSMAO. 

O objetivo de nosso cronica e apontar alguns caminhos para que sua redação tenha qualidade, sabemos que um texto sem coesão e coerência gera falta de interesse ao leitor, que o abandona sem mesmo terminar a leitura.
Hoje, convido-os a conhecer alguns equívocos gerados pela falta de coesão textual e pelo mau emprego dos conectivos, como as preposições e conjunções. Em nossa viagem pela língua portuguesa vamos ler o seguinte trecho de uma redação de vestibular: (…) Beber e dirigir não combinam, entre tudo muita gente faz isso.
Entre tudo é uma locução adverbial formada pela preposição entre + o adverbio de intensidade tudo – expressa a ideia de algo vago, que não foi definido no texto. Nesse caso o termo está mal colocado, podendo ser reescrito da seguinte maneira: (…) Beber e dirigir não combinam, porém, muita gente faz isso.
O autor dessa redação parece desconhecer que os termos entretanto, entre tudo expressam ideias diferentes, entretanto expressa adversidade (oposição) entre tudo, expressa algo vago, porque, no caso acima, não sabemos o que o termo “tudo” está expressando no texto. Você deve estar perguntando-se sobre o termo entra todos? O que ele ter a ver com essa história? Esta expressão formada pelo verbo entrar + o pronome indefinido todos é um importante elemento de coesão textual, lembra-nos que nem todos os vestibulandos entram na Universidade, como o autor do exemplo citado, pois escrever exige que estejamos sempre com os olhos entre a coesão e a coerência.

Profª Ms Elisângela Alves Gusmão
Referências:

http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/pdf/artigos_revistas/98.pdf

http://www2.unama.br/EPE/Ensino/Graduacao/Cursos/Letras/downloads/livros/fio_de_ariadne3.pdf



Terça-feira, Janeiro 10

O DESAPEGADO - CONTE DE ELIS GUSMÃO

O DESAPEGADO 

Conto de Elisângela Alves Gusmão


Era tarde e eu esperava... Por um e-mail, por uma notícia. Era o dia do resultado e nos site ainda não havia a lista dos aprovados do concurso que eu prestara alguns meses antes. Caso eu passasse, quase todos os meus problemas financeiros estariam resolvidos, primeiramente, eu sairia daquele trabalho que tanto me cansava, ser substituta de alguém e dar aulas de Inglês para quem mal sabia português.
Estava enfrente ao computador, era o último dia para a divulgação do concurso da receita federal. Estava ansioso, mas, ao mesmo tempo estava tranquilo porque havia compreendido que devemos nos desapegar de tudo, do estatus, do dinheiro, das pessoas, enfim... Ser desapegado significava, para mim, não condicionar a vida em torno de um único objetivo. Devemos ter sempre em mente que a vida é muito curta e que, quando menos esperamos, vamos embora sem levar nada.
Nosso apego deve ser, primeiramente, em superarmos as nossas limitações psíquicas, emocionais, e tudo aquilo que atrapalha o desenvolvimento da nossa identidade. Não devemos nos preocupar somente com aquilo que possuímos, porque esses bens são apenas emprestados, mas a nossa identidade é apenas nossa e é a ela que devemos preservar e mantê-la sempre em progresso contínuo.
Mas mesmo acreditando nesse desapego eu desejava largar aquele trabalho desgastante e começar algo que me fizesse sentir novo. Eu e todos os 400 candidatos deveríamos desejar isso. Estava pensando em todas essas coisas quando a página abriu e um link novo apareceu... era o resultado do concurso. Meu coração disparou. Se eu passasse iria correndo comprar uma garrafa de champanhe e festejar comigo mesmo essa vitória.
Olhei nos nomes da lista a letra “D”, não havia ninguém com meu nome: Diego. Eu não havia passado...
Desliguei o computador, levantei e fui ao mercado. Comprei o champanhe mesmo assim, abri-o como se estivesse comemorando uma vitória, e estava mesmo...
Comemorava o meu desapego a um sonho cheio de brilho e voltava para minha realidade cheia de alunos malcriados que eu tinha esperança de poder educar educando a mim mesmo. Educar-se é, também, um exercício de acreditar que pegamos e soltamos realidades, mas nunca devemos soltar a fé que devemos ter em nós mesmos. Comemorar cada atitude positiva, festejar o presente e ter esperança no futuro, realizando as terefas mais banais como se fossem oportunidades para aprender sempre. 
Foi assim que festejei o meu desapego e peguei a garrafa de champanhe mais deliciosa que já bebi.

E vamos viver o presente, festejando a vida a cada amanhecer.
bjs da Elis.  

Quarta-feira, Dezembro 7

ENSÁIO SOBRE O FILME "O PALHAÇO" - DIRIGIDO POR SELTON MELLO

O PALHAÇO: UM FILME QUE MERECE COMENTÁRIOS

(ENSÁIO SOBRE O FILME: O PALHAÇO – DIREÇÃO DE SELTON MELLO)


Um palhaço em crise, uma crise vivida por milhares de brasileiros, artistas anônimos, artistas inconscientes, mas palhaços que vivem com arte suas realidades nada engraçadas.
Um palhaço triste, que busca na metáfora de um ventilador, arejar suas ideias, sua vida, sua identidade perdida.
Um palhaço que escuta, que sente, que busca sua realização, sua valorização, uma realização tão simples:
comprar um ventilador, adquirir um documento de identificação, ter alguém que o faça rir, também, um palhaço comovente: que chora e encanta.
Quem é esse palhaço? Essa figura que, junto com sua família de amigos artistas, viaja por lugares tão humildes onde o sorriso é artigo de luxo para muita gente? Quem é essa pessoa que olha para o futuro e vê um símbolo: um simples ventilador? Objeto inusitado que seria capaz de refrescar sua triste vida.
Esse palhaço tem um pouco de mim, de você, de cada um daquele que procura a felicidade, que quer rir e quer ver seus semelhantes sorrindo. Esse palhaço é humano e sensível como poucos e merece nosso olhar.
Três vezes tentei assisti ao filme sobre o qual estou lhes falando, três vezes insisti em presenciar essa história. Não foi fácil, na primeira, fiquei na fila quase 20 minutos, quando chegou minha vez, ouvi que a sala onde o filme estava sendo projetado estava ocupada com um festival de teatro. Fiquei decepcionada... Na segunda, ao invés de ficar na fila, perguntei se o filme estava mesmo em cartaz, ouvi que se eu tivesse chegado há meia hora antes, poderia ter assistido à última sessão. Fiquei aborrecida.
Na terceira, nem imaginava que conseguiria, mas tentei, consegui, assisti a sessão das 22h, na segunda-feira do dia 05 de dezembro de 2011. Maratona que valeu a pena, pois recomendo este filme a todos àqueles que desejam ver um personagem profundamente humano, uma figura apaixonante como não se vê mais hoje, um personagem que consegue sorrir com a alma, depois que tem a coragem de buscar sua identidade.
Alguém puro, comovente que precisamos resgatar em nós mesmos. Simples como um ventilador, refrescante como um dia de primavera. Esse palhaço vai seduzir seus olhos, seu coração e seu sorriso.

Abraços cômicos da Profª Ms Elisângela Gusmão –
Escritora e Doutoranda em linguística.

Terça-feira, Novembro 8

Provar o Improvável - poesia de Elis Gusmão

Provar o improvável
Poesia de Elis Gusmão


Parece-me inesplicável definir o improvável...
Querer controlar o futuro com a palma da mão;
Saber o que ocorrerá daqui a meia hora ou, simplesmente,
não ter explicação... 

Talvez seja improvável, definir o sabor,
 aquele que pouco provou
Provarei, então, o improvável...
e dele irei me saciar

E de tão absurdo sabor  pretendo me embriagar
Que até o inexplicável conseguirei explicar.

Beijos saborosos,
Elis  

Terça-feira, Outubro 25

Este conto, meio autobiográfico, foi escrito em meio aos recreios que eu dava ao meu cérebro, durante a produção de minha dissertação de mestrado, quando eu morava, mesmo, no Parque Universitário. Acho que muitos irão se ver nesse conto. RSSS.

O Parque Universitário

Contoautobiográfico de Elis Gusmão 

 

  
Eu também morava ali... Naquele bairro de universitários. Eu também era uma estudante. Como a maioria daqueles jovens, tinha vindo de longe para fazer um curso que, na minha cidade não havia.
Era férias de julho, e todos pareciam ter viajado para suas cidades. Eu estava li, casualmente sozinha, se não fosse a companhia de uma dezena de livros e exercícios para resolver. A cada minuto passava-me a idéia de jogar tudo para o alto, colocar a mochila nas costas e também partir. Ir para algum lugar onde eu fosse reconhecida, e, como nos velhos tempos, abraçada como uma criança querida.
Mas agora a vida havida mudado. Eu havia assinado vários contratos, contratos que me prendiam a um lugar onde eu estava pela metade. Eu não estava ali...
Já eram mais de meio dia, e eu não sentia fome. Era dia de pagar algumas contas e emagrecer a carteira. Coloquei uma calça rasgada como eu me sentia e sai. Sai como quem não retornaria...
O ônibus estava deserto como a minha alma e ao meu lado apenas a sombra de uma ausência, abri um livro de poesia e algo em mim agradeceu. Os poemas eram de alguém que eu conheci, e agora estava ali também, naquela cidade estranha e parecia estar perdido entre eus e seus, mas eu o trazia para perto e o chamava, ao ler seus escritos...
Não havia muito para fazer naquelas ruas tristes, ninguém para cumprimentar, ninguém para visitar, ninguém para fazer de mim alguém.
Aliás, havia um lugar onde eu era reconhecida, não eu, mas quanto eu pagaria. Lá eu era festejada, até o instante em que as notas saíssem de minhas mãos. Mas eu já sabia que seria assim, que eu seria uma simples pessoa que veio de longe, de muito longe.
O Celular tocou, era ele. Quem era ele que entrou na minha vida como se já estivesse?
Disse que sentia saudades, que no dia seguinte estaríamos juntos. Disse palavras tão leves e aquele momento frio, subitamente, encheu-se de luz.
Conhecemos-nos ali, no Parque Universitário. Ele também era estudante e, diferente de mim, não vinha de muito longe. Tocava violão e fazia matemática aplicada. Era um homem simples e objetivo. Eu ainda não sabia o que me tornaria. Fazia linguística e dava aulas de português, literatura e inglês. Gostava de Chopin e amava dançar.
Era inverno e eu decidi que não retornaria para o Parque Universitário naquele dia. Desci na estação e peguei um ônibus para São Paulo. Havia visto na internet que estava acontecendo um evento muito importante no Teatro Municipal. Um festival de Música de Câmera. Liguei para uma amiga que morava na cidade e nos encontramos na rodoviária. Naquela noite haveria uma apresentação da Orquestra Sinfônica de São Paulo. Mas Keila não poderia ir. Mas uma vez eu estava sozinha. Mas a música haveria de fazer-me companhia. Na fila, muitas pessoas como eu, desacompanhadas. Peguei o programa do Concerto e não acreditei, a Nona Sinfonia de Beethoven seria apresentada. Sentei-me na poltrona número dez, eram nove hora da noite.
Desliguei o celular e quando estava guardando-o em minha bolsa, alguém se sentou ao meu lado. Era uma mulher que parecia ter quase cinqüenta anos. Olhei para ela que semelhante a mim, desligou o celular e colocou-o na bolsa, antes de fechá-la, pegou uma foto e olhou-a por alguns instantes, até que uma voz anunciou o início da apresentação.
As canções de Beethoven levaram-me para o futuro, eu abrindo a bolsa e vendo a fotografia de alguém que não consegui amar, que perdi para mim mesma. Estava com cinquenta anos e lamentava a falta de companhia. Não lembro como retornei ao presente, em que parte do concerto percebi que ainda dava tempo de voltar para onde vim e continuar a história que estava escrevendo.
O concerto havia terminado quando olhei para àquela mulher que agora guardava o lenço, certamente umedecido pelas lágrimas de quem lamentava algo que não foi vivido.
No dia seguinte, despedi-me de Keila e retornei ao Parque Universitário. Abracei aquele instante da minha vida e percebi que era feliz, que estava fazendo um curso do qual gostava, que vivia um relacionamento que me fazia feliz e, se cultivado, tinha tudo para dar certo.
Terminei de resolver os exercícios que ficaram sobre a mesa e lembrei que, no dia seguinte, seria segunda feira, as aulas voltariam e o Parque Universitário estaria cheio de estudantes novamente. Era essa a função daquele lugar, ser a transição entre a esperança (presente) e o acontecimento (futuro). Deixar tudo (cidade, família, amigos), para construir-se como pessoa, cursar uma faculdade e manter-se sozinho em um lugar que antes, nunca fora visto, mas que naquele momento era um lugar entre o presente e o futuro: um Parque Universitário, mas, também, individualizado, porque na função de bairro, abrigava estudantes que aprendiam a sobreviver, a conviver e a sobreviver na rotina de universitários, muitas vezes, solitários.

É meus amigos, vida de Universitário nem sempre é como parece rrss.


Terça-feira, Outubro 18

POEMA JULIETA E A MADRUGADA

POEMA DE ELISÂNGELA GUSMÃO

JULIETA e a MADRUGADA


 ...Ainda pouco eu te procurava

Entre os versos de Shakespeare

No frio da madrugada

Minhas palavras com as tuas se casam

Vestidas com a brancura deste papel

Dizem sim ao teu pedido:

Colocar sobre os meus versos o anel!

Assinalar em minhas estrofes

O teu nome junto do meu

E rimar a nossa espera

Com a primavera

Que ainda não aconteceu...

“Boa noite! Boa noite!

A despedida é uma dor tão doce

Que estaria dizendo ‘Boa noite’

Até que o dia chegasse”

Mas como não estás aqui

Despeço-me da minha saudade

E rogo pela Paz

Dos que como cão adormecem

Sem a razão

De um coração triste

E sem a sensação

Da solidão que em mim existe.



03/06/05

Elisângela Alves Gusmão

 02:00h

Domingo, Setembro 11

O DIÁLOGO DOS CÃES



O DIÁLOGO DOS CÃES

CONTO INFANTOJUVENIL

AUTORES: ELIS E JÚNIOR









CHICÃO                                                CHINAUD


Havia, em um bairro distante, dois cães que eram vizinhos, seus nomes eram Chicão e Chinauld, ambos eram da raça basset, àqueles cães parecidos com uma salsicha, com longas orelhas e um temperamento explosivo e amável.
Chicão e Chinauld adoravam passar longos minutos em intermináveis latidos coletivos, parecia um diálogo, quando um começava a latir, o outro parava e parecia ficar escutando. Separados pelo muro que dividia as casas de seus donos, quase nunca se encontravam, pois ambos não costumavam passear no mesmo horário.
Chicão era o cão mais velho, de pelos negros com o foucinho de cor amendoada, tinha um gênio rebelde, Chinauld era mais novo, da mesma raça de Chicão, era bem mais tranquilo.
Certo dia, no meio de seus latidos dialogados, decidiram planejar uma fuga. A ideia de fugir veio de Chicão, que sempre rebelde, estava reclamando que seus donos não haviam passeado com ele e que nunca mais haviam lhe dado uma salsicha sequer, estava cansado daquela ração sem graça e queria saber se Chinaud gostaria de fugir com ele.
Chinaud nem havia pensado naquilo, era tão obediente e adorava tanto seus donos que estava satisfeito com a vida que levava, mas Chicão continuava, com seu latido raivoso, afirmando que fugiria assim que sua dona chegasse da academia, que era só abrir o portão e ele passaria por baixo das pernas de sua dona e fugiria no mundo.
Chinaud ficou curioso, imaginou como seria poder fazer xixi em todos os postes do mundo, roubar salsicha no mercado, passear até cansar em todas as ruas que ele quisesse, sem ninguém puxando uma coleira amarrada em seu pescoço, como seria ser livre, pela primeira vez pensou na liberdade e sentiu-se triste porque imaginou que não a conhecia.
Combinaram que, assim que Chicão fugisse, esperaria Chinaud na esquina, perto da academia do bairro.
E foi o que aconteceu, como a dona de Chicão era bastante distraída, abriu a porta e, até que ela percebesse a fuga de seu cachorro, foi tempo suficiente para que ele se escondesse para longe de seus olhos.
Chinaud ouviu o choro da dona de Chicão, ela chorava tão alto que Chinaud imaginou como ficaria sua dona quando ele também fugisse, então, teve mais um argumento, além da desconhecida liberdade, para querer fugir – Será que minha dona também chorará por mim?
Os donos de Chinaud sempre chegavam no mesmo carro, juntos, então o cãozinho esperou abrir o portão eletrônico da garagem e fez o mesmo que seu amigo Chicão.
Depois de duas horas os donos de Chicão e Chinaud já haviam pagado um carro de aviso que passava por todo bairro anunciando:


- Alô, alô, se você encontrou dois cachorros da raça basset, um de pelos negros e foucinho amendoado, o outro de pelos marrons e foucinho negro, ambos fugiram na tarde de hoje, os donos estão profundamente tristes e pagam uma excelente recompensa.


Chicão e Chinaud estavam escondidos quando ouviram o carro de som, sentiram-se tristes, mas já estavam à caça de algumas cachorrinhas que estavam no cio, era uma chance única de experimentar como seria deixar de serem cachorros virgens. Depois de experimentarem muitas aventuras, terem demarcado todos os postes do bairro, namorado com as cachorras mais loucas que já conheceram, passeado por todas as ruas que desejaram, decidiram voltar.
Já havia passado dois dias desde suas fugas e os donos de ambos os cachorros estavam reunidos na casa dos donos de Chicão, enviando mensagens com fotos dos cães fugitivos para todos os conhecidos, quando a campainha tocou.
– Não, não foram os cães que tocaram a campainha, foi um menino que viu os dois cães sentados em frente à casa dos donos de Chicão, viu, também, as fotos dos cães nos muros ao longo do bairro e teve a sorte de receber a recompensa que os donos pagaram.
O menino recebeu 300,00 (trezentos reais), os cachorros muitos abraços e beijos de seus donos e os donos receberam a lição de que quando dois cães estiverem em intermináveis latidos dialogados, é necessário muito cuidado, pois se um desses cães for chamado pelo nome de Chicão, provavelmente, podem estar planejando outra fuga.


ABRAÇOS caninos da Elis e do Júnior - leiam para seus filhos, sobrinhos e amigos, ajudem a formar novos leitores.